Calor intenso provoca morte de mais de 9 mil frangos e causa prejuízo em granja de Irará 

Três galpões foram atingidos por temperaturas de até 39°C; responsável pela granja relata perdas incalculáveis e pede atenção para os impactos das mudanças climáticas na produção avícola. 

Mais de 9.500 (nove mil e quinhentos) frangos morreram no último dia 26 de outubro de 2026 em uma granja no Distrito de Bento Simões no município de Irará, vítimas do forte calor que atingiu a região. O episódio ocorreu durante uma sequência de dias com temperaturas elevadas e baixa umidade do ar no território de Feira de Santana, do qual Irará faz parte. 

Segundo a senhora Margarete Santos, responsável pela granja, as aves morreram em decorrência do estresse térmico provocado pelas altas temperaturas registradas nos últimos dias. 

No dia 26 de outubro, três galpões foram atingidos por temperaturas que chegaram a 39°C, com sensação térmica de 40°C, causando a morte das aves e um enorme prejuízo financeiro para a empresa. 

A onda de calor que castigou a região ficou evidente entre os dias 24 e 26 de outubro, quando Feira de Santana, cidade de referência para o território, registrou máximas de até 38°C, com sensação térmica de 41°C, segundo previsão divulgada pelo g1 com base em dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). 

Na segunda metade de outubro, o próprio Inmet já alertava para a possibilidade de uma onda de calor na região, com máximas de até 37°C e tempo seco, sem previsão de chuva. 

O que o calor faz com o frango 

O frango de corte é especialmente vulnerável ao calor porque não possui glândulas sudoríparas. A ave perde temperatura principalmente por meio da respiração ofegante, um mecanismo pouco eficiente em ambientes quentes e úmidos. 

A zona de conforto térmico varia de acordo com a idade da ave, mas, a partir dos 28°C, seu bem-estar começa a ser comprometido. Além disso, a redução do consumo de ração responde por mais de 60% da perda de desempenho em situações de estresse térmico, segundo levantamento técnico publicado pela Zootecnia Brasil. 

Acima dos 35°C, o risco torna-se letal. 

“Temperaturas acima de 35°C representam um risco significativo para os frangos de corte, resultando em estresse térmico”, explicou, à época, Kesley Jordana, presidente da Associação Baiana de Avicultura (ABA), em entrevista ao Bahia Econômica. 

Em ondas de calor anteriores, a entidade registrou perdas de até 15% na produção de ovos nas granjas baianas. 

Irará concentra uma importante atividade avícola no Centro-Norte da Bahia. A Granja de Margarete, como é conhecida, está entre as maiores produtoras de frangos de corte da região. 

À nossa reportagem, a senhora Margarete relatou: 

“Em relação aos valores dos prejuízos que a empresa teve, não tenho como responder por questões burocráticas da empresa, pois existe toda uma logística e outros fatores envolvidos. Mas, para minha família, os prejuízos são incalculáveis. É muito doloroso ver o resultado de tanto trabalho, dedicação e investimento ser perdido em tão pouco tempo.” 

Margarete também destacou o apoio recebido da Prefeitura Municipal de Irará: 

“Minha família recebeu todo o apoio da Prefeitura Municipal de Irará, que nos deu suporte com máquinas e caçambas para dar o destino correto às aves mortas.” 

Ela acrescentou: 

“Trabalhamos com dedicação para entregar uma produção de qualidade, mas, diante desses cenários de temperaturas tão elevadas, enfrentamos dificuldades enormes. Fica o sentimento de tristeza, preocupação e também de insegurança em relação aos próximos lotes.” 

Na sequência da entrevista, Margarete fez questão de deixar a seguinte mensagem: 

“Gostaria de dizer que essa situação precisa ser vista com atenção, pois nós, produtores integrados, também precisamos de apoio e compreensão diante de acontecimentos como esse. Não estamos falando apenas de números ou de perdas na produção, mas de trabalho, investimento, dedicação e do sustento de famílias.” 

Precedentes na Bahia 

O caso de Irará não é isolado. 

Em maio de 2025, o calor excessivo matou 22 mil aves na Granja Carolina, em Cachoeira, no Recôncavo baiano. 

Em novembro de 2023, a combinação de temperaturas superiores a 35°C com uma queda de energia elétrica em Conceição da Feira levou à morte de 20 mil frangos prontos para o abate, causando um prejuízo estimado em R$ 300 mil. 

Já em 2013, um episódio semelhante em Cachoeira resultou na morte de mais de 20 mil aves. 

A ABA e técnicos do setor recomendam, para reduzir os riscos, ventilação eficiente nos galpões, monitoramento constante do comportamento das aves, ajuste do manejo nutricional nos horários mais quentes e planos de contingência para falhas no fornecimento de energia elétrica, uma vez que os sistemas de resfriamento dependem de eletricidade. 

A Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) foi notificada sobre as mortes, esteve no local e realizou vistoria na granja. 

No encerramento da entrevista, Margarete Santos agradeceu o apoio recebido do secretário de Infraestrutura e de toda a equipe que participou do processo de retirada das aves mortas. 

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