• junho 19, 2026
  • Francisco Tavares
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O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (19), a Operação Juros Zero para investigar um suposto esquema de fraudes na folha de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal. A investigação envolve operações relacionadas a descontos realizados nos salários de servidores, aposentados e pensionistas do Governo do Distrito Federal (GDF). 

Entre os alvos da operação estão o Banco de Brasília (BRB), a BRB Serviços S.A., a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF), o PicPay e associações ligadas ao caso. As medidas também alcançam atuais e ex-dirigentes das instituições investigadas, entre eles Ney Ferraz Júnior e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. 

A ação é conduzida pela Vice-Procuradoria-Geral de Justiça, pela Promotoria de Defesa do Consumidor e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Por determinação do Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), estão sendo cumpridos 50 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Curitiba, no Paraná, e em São Paulo, onde está localizada a sede do PicPay. 

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Segundo as investigações, o caso envolve possíveis irregularidades em operações vinculadas à folha de pagamento dos servidores distritais. De acordo com inspeção realizada pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), o PicPay estaria efetuando descontos referentes a empréstimos consignados nos salários de servidores, aposentados e pensionistas do GDF de forma irregular. 

Os valores estariam relacionados ao serviço de antecipação salarial oferecido ao funcionalismo público por meio de contrato firmado entre o PicPay e a Secretaria de Economia do Distrito Federal em setembro de 2024. 

O relatório do TCDF apontou um “crescimento acentuado e alto volume em nova modalidade de desconto” diretamente na folha de pagamento, referente à amortização do serviço contratado com a instituição financeira. Conforme os dados da Corte de Contas, os descontos consignados somaram R$ 11,7 milhões em 2024. Entre janeiro e agosto de 2025, o montante chegou a R$ 70 milhões. 

Ainda segundo o relatório, o PicPay descontou R$ 81,7 milhões dos salários de servidores do GDF entre 2024 e 2025. Em fevereiro, o TCDF determinou a suspensão de novos descontos diretamente em folha vinculados ao banco digital após identificar irregularidades relacionadas à cobrança de taxa sobre a antecipação salarial. 

De acordo com a investigação, o PicPay é a única instituição habilitada, desde 2024, a realizar desconto compulsório na folha de pagamento do GDF. A operação é executada pela BRB Serviços, subsidiária do Banco de Brasília. (BN).

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