Com 656 tiroteios, Salvador registra recorde de perseguições policiais 
  • julho 29, 2026
  • Francisco Tavares
  • 0

O primeiro semestre de 2026 registrou 98 perseguições, o maior número absoluto da série histórica do Instituto Fogo Cruzado. 

Chama a atenção o indicador de chacinas em ações policiais. Embora o número absoluto de chacinas tenha apresentado redução em relação a períodos anteriores, 93% de todas as chacinas registradas ocorreram durante ações policiais, o maior percentual da série histórica monitorada pelo Instituto desde 2022 

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Ao todo, as chacinas ocorridas durante ações e operações policiais deixaram 49 mortos. O Complexo do Nordeste de Amaralina aparece como um dos principais lugares impactados por essa dinâmica. Apenas os bairros Nordeste e Pirajá concentraram 37% das mortes em chacinas policiais registradas no semestre. 

As perseguições policiais também bateram recorde. O primeiro semestre de 2026 registrou 98 perseguições, o maior número absoluto da série histórica do Instituto Fogo Cruzado. Como consequência, também foi registrado o maior número de pessoas baleadas nesses episódios (95). 

Entre os grupos mais afetados pela violência, crianças e adolescentes voltaram a apresentar crescimento nos registros. Enquanto o primeiro semestre de 2025 não contabilizou nenhuma criança baleada durante ações policiais, em 2026 ao menos duas crianças foram atingidas. Entre adolescentes, o número de vítimas baleadas em ações policiais cresceu 36%, alcançando o maior patamar da série histórica. 

A violência armada também atingiu moradores dentro de suas próprias casas. Os casos de pessoas baleadas em residências crescem 17% em relação ao mesmo período do ano anterior. Um dos episódios mais emblemáticos foi o feminicídio da cabo Celeste de Oliveira Martins, assassinada pelo próprio marido, também policial militar, dentro do apartamento onde o casal morava, no bairro do Barbalho, em Salvador. No semestre, os registros de feminicídio aumentaram 25%. 

A violência também alcançou os próprios trabalhadores da segurança pública. O número de agentes baleados dobrou em relação ao primeiro semestre de 2025. Pela primeira vez na série histórica, a maioria dos agentes foi baleada durante o serviço: 59% das vítimas estavam em atividade quando foram atingidas.  

Mapa da violência 

O Fogo Cruzado realizou ainda um levantamento dos bairros e municípios da RMS que foram mais impactados pela violência armada. Salvador segue liderando o ranking dos municípios mais impactados pela violência neste primeiro semestre de 2026.  

A capital baiana concentra 74% dos tiroteios registrados no primeiro semestre de 2026. 

Salvador: 473 tiroteios, 338 mortos e 126 feridos 

Camaçari: 53 tiroteios, 36 mortos e 12 feridos 

Dias D’Ávila: 32 tiroteios, 28 mortos e 1 ferido 

Lauro de Freitas: 28 tiroteios, 32 mortos e 4 feridos 

Simões Filho: 25 tiroteios, 18 mortos e 1 ferido 

Candeias: 14 tiroteios, 12 mortos e 1 ferido 

Vera Cruz: 13 tiroteios, 12 mortos e 2 feridos 

Mata de São João: 6 tiroteios e 5 mortos 

Itaparica: 5 tiroteios e 2 mortos  

São Sebastião do Passé: 4 tiroteios, 1 morto e 1 ferido 

São Francisco do Conde: 3 tiroteios e 3 mortos  

Considerando os bairros de Salvador e da região metropolitana, os mais impactados pela violência armada estão localizados em Salvador. Entre os mais afetados em 2025 estão: 

Beiru/Tancredo Neves: 19 tiroteios e 10 mortos 

São Cristóvão (Salvador): 15 tiroteios, 10 mortos e 3 feridos 

Engenho Velho de Brotas (Salvador): 14 tiroteios, 10 mortos e 7 feridos 

Pirajá (Salvador): 13 tiroteios, 18 mortos e 1 ferido 

Itapuã (Salvador): 12 tiroteios, 8 mortos e 5 feridos 

Pernambués (Salvador): 12 tiroteios, 5 mortos e 2 feridos 

Santa Cruz (Salvador): 12 tiroteios e 14 mortos 

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